humano

Um homem, distinto, Zé Carcará.

cidadão Sergipano.

O mundo do homem, ao qual fazemos parte, mais precisamente nesta nossa cidadezinha odiada e amada ao mesmo tempo, em que muitos a intitulam de atrasada, provinciana.

Repudiada pelas autoridades que só querem extorquir suas riquezas, seja do lugar quanto das próprias pessoas.

Mas, por enquanto, dotada de belezas específicas, tais como suas praias maravilhosas, mesmo que de certa forma descuidadas de seus usuários.

Esta minha cidade que aparenta ser guiada por vermes que a todo custo querem proliferar mesmo que por sobre a podridão na qual alguns poucos sobrevivem e tentam, com isso, modificar esse atual desígnio.

Esta bendita-maldita cidade que não passa de mais um pedaço do grande mal que assola todos aqueles que os “outros” intitularam de viverem no “terceiro mundo” é mais uma manifestação, uma demonstração de que um dos aspectos desse mal.

O desemprego é um inimigo crudelíssimo que não tem piedade nem dó daqueles que mais sofrem: os de baixa renda.

O desemprego, mais uma das grandes feridas geradas por estes que detém o poder do estado, cria a obrigação de que aquele que não possui um “dom técnico” deve tornar-se um possuidor desse “dom”, caso contrário, não conseguiria sobreviver nesse “mundo”.

Faz daquele que não possui o conclamado “dom técnico”, caso ele não se adapte, um “marginal”, aquele que vive à margem do sistema vigente, ou um “coitado”- lembrando que tal palavra é derivada de coito – e que busca a sua sobrevivência em um mundo tecnicista.

Esse sistema que procura impor a técnica como único meio de sobrevivência no mundo de hoje, acaba destruindo o verdadeiro EU, do ser humano.

Rogando-lhe um destino de infelicidades, de promessas jamais cumpridas e que não passam na realidade de poderosos mitos criados.

Obrigando assim o ser humano a aceitá-los sem mais delongas.

Este mesmo ser humano, aos olhos de seus dominadores, deve ser um simples ser autômato, um robô, um ser amorfo incapaz de algum poder de criatividade.

E que, principalmente, jamais se dê ao luxo de refletir ou até mesmo tentar compreender, numa visão ampla, o porquê dele estar ali naquela situação, naquele momento exercendo aquela função.

Para os nossos dominadores, o ser humano tem que somente comprar mais e mais coisas, não tem que se preocupar com o seu lado espiritual ( não especificamente o religioso.), com o seu lado verdadeiramente humano e sim em consumir, em possuir coisas relegando desse modo uma possível reflexão e assim transformando o ser humano em simples seres idênticos uns aos outros.

Será que todos nós, somos iguais de fato?

Será que, por exemplo, os donos das fábricas de carro acham que todos nós gostamos de um mesmo tipo de carro com a mesma cor?

Como nós nos sentimos quando compramos um carro com o maior sacrifício, tendo um trabalho infeliz para escolher aquele determinado modelo e, assim que saímos da loja, outro passa com um carro igual ao nosso em frente dizendo “Eu também tenho um!”.

É claro que nós, provavelmente, poderemos ficar com certa raiva do outro porque ele teve a audácia de comprar um carro idêntico, só que não paramos para refletir que nós dois fomos enganados porque pensamos que estávamos comprando aquilo que havíamos escolhido.

O Homem pós-moderno recebe, então, a designação de um homem sem consciência, sem poder reflexivo sobre a realidade que o cerca, um homem, nas palavras de Feuerbach, “alienado”.

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