Hq's

Dos 11 aos 12 anos, a arte das Hq’s, praticamente me despertou para a ilustração, não digo isso por pura demagogia, sério, mas parecia que o universo conspirava quando eu via uma folha de papel em branco, e um lápis ou caneta, logo me debruçava em ambos e desenhava sempre alguma coisa voltada ao que assistia nessa época.

Desde desenhos do final dos anos 80:”He-man”,”Thundercats” e “Patrulha Estelar” a animação mais chocante da história, pra um menino da minha idade, o que acontecia naquele desenho, eu não via em nenhum outro, a trilha sonora nunca saiu de minha mente.

Voltando ao meu “acordar”, quando me desenhei em frente ao espelho, e mostrei aos meus amigos e pais, e a consequência de tudo isso, foi o estímulo de todos,irremediávelmente, não existia melhor válvula de escape para mim, e meu irmão a tiracolo,é claro, que também estava nessa “leva”, e parecia ter e gostar de fazer isso, esse período de nossas vidas,foi bem alegre e frutífero,e com o apoio de todos, que sempre nos elogiavam, “Afinal de contas, da onde esses pivetes tiraram essa capacidade em desenhar?”…se perguntavam,alguns diziam,”Um dom!”…é pode ser.

Hq's

Hq’s

Nesses, gibis antigos (Hq’s), o que faziamos eram histórias sempre calcadas em superseres, e algumas de policiais também, influência externa obvia,das Hq’s(quadrinhos de super heróis) que líamos,(e que nosso pai,comprava pra gente, todas as vezes que íamos ao centro, chegávamos em qualquer banca,e nosso pai nos proporcionava a desforra do divertimento, cansei de voltar pra casa com as mãos cheias de Hq’s!).

Sim, os roteiros?…nem perguntem, eram tão simplórios (pra crianças de nossas idades, influenciados diretamente pelo que liamos e assistiamos, e servindo como base, até que nos saíamos bem!…de certo ponto de vista.) e sempre tínhamos como personagens, uma espécie de “amalgama” do real com o imaginário, eram baseados em, nós mesmos, amigos,parentes,vizinhos…( Na grande maioria das vezes, mas não completamente em todos.)

Retratados em idades diferentes daquele momento, mais adultos,sarados (uhuu!), com poderes genéricos, superforça, voo,raios das mãos,fogo,gelo,( esses últimos por exemplo, me lembram um determinado momento incrivelmente tosco e inesquecível, em uma das histórias, o qual rimos até hoje,quando vez ou outra, nos lembramos.Bem, basicamente, dois super’s,um com poder de fogo e outro gelo, tentam deter um monstro gigantesco, então unindo seus poderes, disparando juntos na gigantesca criatura, seus raios mesclados transformaram o monstro em pedra!?… no balão de um dos personagens cientista (cof!!.cof!!)”A união de fogo e gelo,dá mil graus…portanto…pedra!!?”hein?!WTF?!(“What That Funk?!”..traduzindo:”O que diabos é isso?!”…como se fôssemos especialistas nessa área!…é impossível não soltarmos gargalhadas toda vez que nos relembramos desse momento,único nos quadrinhos,toscos!!kkk!.), mas o outro “superpoder”que usávamos em alguns personagens era, o de tentarmos retratar um pouco a realidade, ou seja,até personagens casados tinham em nossas fileiras “superheroisticas”(Esse termo existe?…quem se importa?) diria, um verdadeiro pré vislumbre do tradicional futuro que nossa sociedade nos reservava, mesmo em histórias desse gênero, com monstros,e assassinos psicóticos, todos feitos em traços tão leves,quanto simples e toscos, afinal de contas,nenhum dos dois era especialista em anatomia,luz e sombras,ou qualquer que seja desse conhecimento técnico necessário para criar tais obras, nossa percepção comparativa com as obras profissionais, era calcada em “achismos”e uma pequena dose de “momento do olhar focado”. A paixão nos movia,e naquele ínterim, era o suficiente, para nos entreter, muito.

Nas Hq’s, queríamos criar também um mundo onde pudéssemos ser o que não podíamos realizar em nossa realidade, que se mantém presa as leis insuportáveis da física, onde o fantástico precisava ter sua vez, ou seja, em outras palavras, uma realidade muito da chata, e que merecia uma outra percepção, mesmo que no papel e em desenhos nada perfeitos, longe disso…mas que tinham seu alicerce calcado com muita importância emotiva pra nós e nossos amigos.

Fazer gibi, era uma atividade estimulante e muito divertida, de certo ponto, até num tom de seriedade, como se tivéssemos contratos com grandes editoras, pensávamos até em prazos de entrega, e periodicidade de lançamento (“lançamento, pra onde mesmo!?”kkk!), a empolgação era tamanha que a produção seguia a toda, cada uma das edições eram bem enumeradas, e distintas,eram superheróis,robôs,cyborg’s, Et’s, grupos espaciais,policiais…etc.

O material, que nós utilizávamos era aquele encontrado em qualquer canto da casa, lápis,caneta, hidrocor ( que hoje chamam de “canetinha”,prefiro o nome de minha época, bem menos “fresco”, kk!…mas as cores só se restringiam a capa, internamente era tudo em preto e branco mesmo,até porque,desenhar, arrumar os balões ( as falas dos personagens eram feitas após as ilustrações prontas, basicamente o que enxergávamos de ação na cena, nos fazia preenchê-los com o que vinha na mente!!…dava um trabalho dos diabos, mas quando colocávamos os textos, parecia fazer sentido!)

O papel das Hq’s, era de todo tipo de gramatura,Jornal, caderno, oficio, aqueles volumes de papéis impressos em empresas com listas de coisas, cheios de textos,no verso, mas do outro lado, sem nada, livres,praticamente implorando pra serem riscados…, em nossa visão, aproveitáveis, afinal nosso custo nisso era praticamente, zero,porque,era doado, aos montes,pelos adultos.” Vocês gostam de desenhar né?!..tomem,divirtam-se!”….e nós fazíamos por merecer, nossos quadrinhos ajeitados antes de passar os personagens, eram feito com certo esmero,(usávamos régua, embora meu irmão bem mais que eu, que sempre apoiava a “capacidade do artista autodidata”, ou seja,só dependia de suas mãos, sem ferramentas adicionais,como a citada régua.),e tinhamos até uma espécie de “estilo”diferente,além do fator dele preferir usar só lápis nas produções,e eu caneta,porque já queria deixar tudo aparentemente finalizado!kk!) era tanta energia, tanto vigor pra desenhar, aquelas coisas, aqueles personagens que só sabiam socar, disparar raios, impedir assaltos a banco,voar, deter monstros que surgiam de maneira totalmente inexplicável e conversavam durante umas duas páginas de 10 (sim,mantínhamos um padrão, mas essa parte, era sempre meu irmão que cuidava..afinal, eles não poderiam só brigar o tempo todo,tem de haver uma conversa!!ohhh!), bem, só pra se prepararem para a próxima e espetacular batalha,da edição seguinte…sim,era tosco,muito…mas dentro do possivel, fomos percebendo aos poucos,que apesar de “trash” reconheciámos ( não somente,eu e ele.) que ali, naqueles montes de ilustrações em quadrinhos, havia um certo,”talento”? aflorando, uma capacidade, e noção de que além de tão divertido quanto, existia a possibilidade de melhorarmos o que já possuíamos no sangue, uma espécie de “saber desenhar”(autodidatas?…nunca fizemos curso!!) foi aos poucos nos ganhando, e afinal, fazíamos pra quem mesmo?…nós,nossos amigos, e era suficiente,naquela fase de nossas vidas,o negócio era só,seguir cada vez mais em frente, pra ver até onde poderíamos chegar.

No decorrer das postagens vou detalhar o conteúdo de cada uma das Hq’s, que produzíamos, não que merecessem ser mencionadas especificamente, mas porque detalhar esses elementos, que fazia parte de nossos,gibis, só nos fez acreditar que eles além de ser parte de nossa história, e de nosso mundo imaginativo,de hqs independentes, de um universo de possibilidades, que apesar de ser exclusivo de nossa mente, ele poderia sim ser compartilhado e dividido com vários outros, que também acredito, terem os mesmos gostos que nós, o gosto de levar sua mente, além do que está em nossa frente, diria…muito mais além.